terça-feira, 24 de setembro de 2013

As mentiras deste governo por Daniel Oliveira

A decadência moral do governo

Daniel Oliveira
8:00 Terça feira, 24 de setembro de 2013

Nuno Crato nomeou a mulher para o Conselho Científico das Ciências Sociais e Humanidades da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Não sendo um cargo remunerado, é um cargo com poder de influência. Muito maior do que se pode julgar. Não é apenas um órgão consultivo. Escolhe e nomeia júris e painéis de avaliação, tem poder na orientação científica das diferentes disciplinas e seleciona os projetos dos investigadores contratados que passam a avaliação internacional. Na sua área científica, este conselho tem um poder razoável. Para além disso, para alguém com um currículo relativamente modesto para o cargo, trata-se de uma importante promoção.
Mas ainda que não fosse nada disto. Um ministro não aceita a nomeação da sua mulher para um cargo público que dependa da opinião do seu Ministério, seja ele remunerado ou não, seja ele importante ou não. E dizer que foi a sua secretária de Estado a tomar a decisão é conversa idiota. Partido do princípio que Crato sabe alguma coisa sobre a vida profissional da sua mulher, teria de ser o primeiro a impedir que esta nomeação acontecesse. E teria de ser a sua mulher a primeira a perceber que não se deveria propor (é por candidatura) para um cargo onde o Ministério dirigido pelo seu marido tem uma intervenção final vinculativa. Já nem é respeito pela ética republicana. É bom senso.
Em Novembro de 2008, em pleno escândalo do BPN, Rui Machete escreveu ao líder parlamentar do Bloco de Esquerda a informar que nunca tivera ações do BPN e da SLN, que nunca ocupara cargos de gestão nas duas instituições e que nunca fora parte ativa ou passiva nos seus negócios. Na realidade, como se sabe hoje (mas não se sabia na altura), Machete foi acionista da SLN, tendo feito um bom negócio com a compra e venda de títulos que não estavam disponíveis em bolsa e cujos preços eram decididos pelo próprio Oliveira Costa. O ministro dos negócios estrangeiros declara que, com a sua "incorreção factual", não teve qualquer intenção de ocultar factos. Bem esclarece que nada lhe fora perguntado. Foi ele, antes que fosse chamado à Comissão de Inquérito, que tomou a iniciativa de enganar quem sabia que o poderia chamar a depor para que não lhe fizesse as perguntas incómodas que agora surgem. Aquilo a que Machete chama de "incorreção factual" (e não é a primeira) tem um nome em português: é uma mentira. E é uma mentira sobre o seu envolvimento, por pequeno que fosse, no mais grave escândalo financeiro a que este país assistiu. Um escândalo onde a amnésia seletiva dos envolvidos parece ser doença generalizada. E onde, por isso, detetar quem mente e porquê é fundamental para perceber como foi possível acontecer o que aconteceu nas barbas de toda a gente. Para saber com que conivências e silêncios contou Oliveira Costa. O homem, soubemos ontem, teve uma procuração assinada por Machete para o representar numa Assembleia Geral.
Mas no seu esclarecimento Rui Machete toma-nos por parvos: "No momento em que escrevi esta carta, em 5 de novembro de 2008, não tinha quaisquer ações ligadas ao Banco Português de Negócios (BPN). Aliás nunca tive, em qualquer momento, ações do BPN. Equivocadamente escrevi então que nunca tinha tido ações da Sociedade Lusa de Negócios (SLN)." Tendo em conta que Machete dirigiu o Conselho Social da SLN, é provável que saiba que nunca existiram ações do BPN, mas apenas da SLN. Logo, faria pouco sentido escrever a um deputado para informar que não tinha ações que pura e simplesmente não existiam. O que Machete quis dizer foi o que disse quando não pensou que o país chegasse a tal Estado que ninguém, a não ser ele, aceitasse ocupar o lugar de ministro dos Negócios Estrangeiros.
Maria Luís Albuquerque foi apanhada em mais uma mentira, numa sucessão deprimente de pequenos esclarecimentos que se vão negando a sim mesmos. Na Comissão de Inquérito disse: "enquanto estive no IGCP nunca tive qualquer contactos com swaps, nem do IGCP nem de natureza nenhuma". A partir do momento em que Almerindo Marques disse que fora ela a dar parecer positivo a uma swap das Estradas de Portugal, a ministra passou então a dizer que, no parecer que assinou para o financiamento daquela empresa pública pelo Deutsche Bank, que implicava o estabelecimento de um swap "com carácter de obrigatoriedade", as condições desse swap eram omissas. Um pouco diferente de nunca ter tido qualquer contacto com swap. Aliás, as novas versões da verdade de Albuquerque são sempre diferentes das suas primeiras verdades inabaláveis. Tudo sempre com um propósito: esconder as suas responsabilidades, no IGCP, na Refer e na Secretaria de Estado das Finanças, no caso dos swap. Contratar swap não é crime. O que é grave é que foi Maria Luís Albuquerque que os usou como arma de arremesso contra o PS e que, vendo o efeito boomerang do ataque, dirigiu uma investigação cheia de buracos e fez uma limpeza no governo, lançando na lama o nome de colegas seus de executivos.
Nenhum dos três casos é, por si só, especialmente grave. Quando sabemos que Dias Loureiro e Oliveira Costa fizeram parte de um governo e que o presidiário Isaltino Morais vai ganhar uma eleição por interposta pessoa nada parece especialmente grave. Mas tudo junto, na mesma semana, faz Miguel Relvas parecer um pobre injustiçado. E retrata bem o estado de degradação moral deste governo.
Todos os governo em fim de ciclo se enredam em sucessões de escândalos que lentamente os matam. Foi assim no fim de Cavaco, de Guterres, de Durão/Santana, de Sócrates. O problema é que este governo está morto mas já todos percebemos que, se tudo correr como se espera, ficará no seu lugar por mais dois anos. O problema é que este governo parece, desde o início, um interminável fim de ciclo. Não é difícil imaginar o mal que fará ao País e à democracia manter um morto-vivo, cada vez mais desacreditado, a gerir um dos mais importantes momentos da nossa história. É que já não cheira a fim de ciclo. Cheira a fim de regime. E isso não é obrigatoriamente bom.


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/antes-pelo-contrario=s25282#ixzz2fnvzzAoy

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Homenagem a Relvas no Brasil

Notícia Público: Bruxelas abre inquérito sobre as concessões da exploração hidroeléctrica dos rios à EDP

Alguns pontos importantes sobre a construção das barragens:

- muitas delas nem deveriam ter sido construídas. Ponto.
- muitas barragens que vêm sendo construídas no plano (programa) nacional de barragens têm custos elevadíssimos e nunca saberemos se na verdade o custo/benefício.
- muitas barragens são construídas em parcerias público privadas e é o que toda a gente sabe:  contratos completamente usurpadores do estado português!
- rebentam com muito património natural, único  a nível mundial. Fauna e flora são destruídos no altar do progresso português!

Notícia completa: aqui.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Continuem a votar "nestes governantes". Depois digam que são todos iguais...

Sob proposta do Governo foi aprovada no passado dia 24 de Julho de 2013 pela Assembleia da República, com os votos favoráveis do PSD e do CDS, a Proposta de Lei 150/XII, por meio do Decreto nº 166/XII, enviado já para promulgação pelo Presidente da República e depois para posterior publicação no Diário da República, a nova lei que regula a obrigatoriedade de publicitação dos benefícios concedidos pela Administração Pública a todos os particulares.
Esta lei procede à primeira alteração ao Decreto-Lei n.º 167/2008, de 26 de Agosto, e revoga as Leis n.ºs 26/94, de 19 de Agosto e 104/97, de 13 de Setembro.
Esta nova lei, agora aprovada pela AR, no seu art.º 2n.º 4alínea b) excepciona propositadamente da publicitação “os subsídios, subvenções, bonificações, ajudas, incentivos ou donativos cuja decisão de atribuição se restrinja à mera verificação objectiva dos pressupostos legais”, ou seja, coloca de fora do conhecimento público, portanto ficam protegidas pelo sigilo, as subvenções vitalícias dos titulares de cargos políticos.
Lembramos que na lista dos beneficiados destas subvenções encontram-se os titulares de cargos políticos desde o 25 de Abril de 1974, sendo todos os Presidentes da República, os membros do Governo, os deputados à Assembleia da República, os ministros da Repúblicapara as regiões autónomas, os membros do Conselho de Estado e os Juízes do Tribunal Constitucional.
É o caso para dizer que, infelizmente, uma vez mais, em Portugal os políticos são tratados como cidadãos acima da lei, dando-se a si próprios privilégios e prerrogativas anormais e superiores aos demais portugueses, que depois mantêm secretas, portanto, total e absurdamente à margem da lei.
Isto é um vergonhoso atropelo ao estado de direito, uma flagrante e escandalosa violação, entre outros, dos princípios constitucionais da igualdade, da transparência e publicidade dos actos administrativos, tudo muito próprio de uma reles ditadura ou de um estado de delinquentes!

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Lição de Gramática

"Mas que Grande Lição de Gramática!"
 
 
  O "Filho da Puta" ...... (Também serve para rever e relembrar a sintaxe gramatical!)
 
  Foi escrito em "português antigo", não o arcaico "Galaico-Português" e ao "des"abrigo do novo acordo ortográfico.
 
  Curso Rápido de Gramática:
- Filho da puta é adjunto adnominal, quando a frase for: ''Conheci um político filho da puta".
- Se a frase for: "O político é um filho da puta", aí, é predicativo.
- Agora, se a frase for: "Esse filho da puta é um político", é sujeito.
- Porém, se o gajo aponta uma arma para a testa do político e diz:
"Agora nega o roubo, filho da puta!" - daí é vocativo.
- Finalmente, se a frase for: "O ex-ministro, aquele filho da puta, arruinou o país e não só" - daí, é aposto.
  Que língua a nossa, não é ....?????
Agora vem o mais importante para o aluno. Se estiver escrito:
"Saiu de ministro e foi viver para França, e ainda se acha o salvador da Nação."
Ou ainda, "Saíu de MNE, vao ser agora vice-PM e na próxima crise enxota o actual PM e assume o respectivo lugar...democraticamente e sem colocar em causa a estabilidade política"......
   O "filho da puta" aqui é sujeito oculto .........

domingo, 7 de julho de 2013

Viriato Soromenho Marques - Os inimputáveis (DN 1/7/13)

Os inimputáveis

por VIRIATO SOROMENHO-MARQUES DN 01JUL13
As ambíguas decisões do Ecofin (Conselho que reúne os ministros das Finanças dos países da UE) sobre as novas formas de "resolução bancária", deixaram de fora o escândalo político e moral revelado pela imprensa irlandesa, quando esta divulgou gravações de conversas datadas de final de 2008, envolvendo o ex-presidente do Anglo Irish Bank e o seu gerente principal, respetivamente, David Drumm e John Bowe. A vulgaridade da linguagem, onde se incluem insultos aos investidores alemães que confiavam na seriedade da banca irlandesa, não permite a sua transcrição. Mas ficámos a saber que o presidente do banco falido, que custou até agora 30 mil milhões de euros ao povo irlandês, incitou, num tom alarve, os seus subordinados a abusarem das garantias dadas pelo Tesouro irlandês, com um dolo que transforma o conceito de "capitalismo de casino" numa expressão quase bondosa. Aqui ao lado, em Espanha, a figura mais notável do festival de ofensa ao bem público por parte de uma pequeníssima facção de gestores de topo chama-se Rodrigo Rato. Um verdadeiro super-homem, que passou por todos os anéis do poder contemporâneo: foi ministro da Economia de Madrid; alto dirigente do FMI, terminando a sua carreira em maio de 2012 como presidente de um banco que conduziu à falência, o Bankia, que custou aos contribuintes espanhóis 20 mil milhões de euros. Em Portugal também tivemos os nossos Costas e Rendeiros, lesando em milhares de milhões o Estado português com as suas malfeitorias no BPN e BPPDados da Comissão Europeia, indicam que os europeus já gastaram 4,5 biliões de euros para salvar o sistema financeiro do Velho Continente. Isso significa mais de dez vezes todos os planos de resgate dirigidos a países (incluindo o de Chipre)! Em nenhum momento da história um grupo tão pequeno e medíocre de delinquentes causou tanto dano a centenas de milhõe de pessoas. Chamar a isto a "crise das dívidas soberanas" é um insulto à inteligência, pois confundem-se os efeitos com as causas. Em nenhum momento, o Ecofin alude a estes crimes que ficaram sem castigo. Pior, as regras para salvar os bancos no futuro continuarão a ser aplicadas por autoridades nacionais, deixando intactos os mecanismos de cumplicidade entre o sector financeiro e os dirigentes governamentais, que estiveram na origem do "fartar vilanagem" em que se transformou a "supervisão prudencial" por parte dos bancos centrais nacionais. Mas há uma coisa que o Ecofin nos ensinou em relação ao futuro do sistema financeiro na Europa: os ratos continuam, acima da lei, a fazer a sua vida no navio que se afunda. Estamos avisados para mantermos as mãos nos bolsos, se quisermos minimizar os danos.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Rádio Comercial - Música dedicada a Vítor Gaspar

Rádio Comercial tem nova música, desta vez dedicada a Vítor Gaspar - ViVi dos 741 dias. 

Vasco Palmeirim escreveu a letra, cantou e teve direito a coro.

Relvas já está reformado !

Mais uma vergonha nacional. SÓ NOS FALTAVA MAIS ESTA .

( Relvas já reformado. E com 2.800 € - mais de 39.000 €, por ano,  pagos pela C.G.A.)

Que nos dirão os senhores políticos das chorudas reformas vitalícias, com 6 e 12 anos de descontos?
Como é que o sistema da CGA poderá aguentar todas estas poucas vergonhas?

Era a estes casos que Passos Coelho se referia quando falou das reformas que nunca tiveram o devido desconto?

Então legislem, com efeitos rectroactivos, sobres estes Senhores e não sobre os funcionários públicos que descontaram durante 40 anos e prestaram, na maioria dos casos, mais de 40 anos de serviço ao Estado Português.


Se o fizerem, ninguém contestará estes efeitos rectroactivos e, por certo, não haverá nenhum Tribunal Constitucional que considere a medida inconstitucional.


terça-feira, 2 de julho de 2013

Petição da DECO - Contas à ordem: pelo fim das comissões


A sua assinatura conta. O seu gesto conta. Contamos consigo.

Assine já!As despesas de manutenção associadas às contas à ordem aumentaram 41%, em média, desde 2007. Trata-se de uma cobrança abusiva, uma vez que não tem nenhum serviço associado e penaliza os consumidores com menos recursos.
É verdade que, numa economia saudável, os bancos têm de ter lucro. Também é verdade que, por via do crédito malparado e de investimentos pouco rentáveis, a sua sobrevivência financeira tem sido posta à prova. Mas a recuperação não pode ser feita, por sistema, à custa de um produto bancário imprescindível a todos os consumidores: a conta à ordem.
Por isso, a DECO lançou uma campanha de recolha de assinaturas pelo fim das comissões de manutenção nas contas à ordem. Queremos levar este debate, uma vez mais, ao Parlamento, exigindo a criação de lei que proíba estes encargos.
A sua assinatura conta. O seu gesto conta. Contamos consigo.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Entrevista de José Gomes Ferreira ao Presidente do Instituto de Gestão da Dívida Pública

Esta é mais uma vigarice (sim, vigarice) que se instalou e não há quem a corrija. Vem de longe vem...


O Presidente do Instituto de Gestão da Dívida Pública, pago principescamente por todos nós segundo a tabela do lugar que ocupava antes no banco JP Morgan, ficou sem palavras!...
Embasbacou a tentar explicar o inexplicável!...
Estas “sumidades” da alta finança têm sempre muita explicação técnica, mas desta vez foi fácil de entender!... Só quem não quer ver…
José Gomes Ferreira lá vai respondendo pelo entrevistado que apenas gagueja e molha a boca com água!...
Cambada!...

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Ilegalidades nas contas da Madeira somam 3,85 mil milhões de euros

O Expresso, hoje noticia que as Ilegalidades nas contas da Madeira somam 3,85 mil milhões de euros. Pergunto quando é que farão alguma coisa para estancar esta vergonha???

Quando é que directores, assessores, deputados, secretários e outros moinantes vão deixar de vangloriar pelas ruas da Madeira com os seus bólides e as suas villas? E os seus queridos rebentos a estudar no estrangeiro com tudo pago?

segunda-feira, 10 de junho de 2013

"Jornal de Barcelos" - O Silva das Vacas - Esta pérola jornalística merece ser lida até ao fim...

Recebi no meu email e é PENA QUE O ARTIGO NÃO TENHA SAÍDO NUM JORNALDISTRIBUÍDO A NÍVEL NACIONAL
O Silva das vacas
Algumas das reminiscências da minha escola primária têm a ver com vacas. Porque a D.ª Albertina, a professora, uma mulher escalavrada e seca, mais mirrada que uva-passa, tinha um inexplicável fascínio por vacas. Primavera e vacas. De forma que, ora mandava fazer redacções sobre a primavera, ora se fixava na temática da vaca. A vaca era, assim, um assunto predilecto e de desenvolvimento obrigatório, o que, pela sua recorrência, se tornava insuportavelmente repetitivo. Um dia, o Zeca da Maria "gorda", farto de escrever que a vaca era um mamífero vertebrado, quadrúpede ruminante e muito amigo do homem a quem ajudava no trabalho e a quem fornecia leite e carne, blá, blá, blá, decidiu, num verdadeiro impulso de rebelião criativa, explicar a coisa de outra forma.
E, se bem me lembro ainda, escreveu mais ou menos isto:
"A vaca, tal como alguns homens, tem quatro patas, duas à frente, duas atrás, duas à direita e duas à esquerda. A vaca é um animal cercado de pêlos por todos os lados, ao contrário da península que só não é cercada por um. O rabo da vaca não lhe serve para extrair o leite, mas para enxotar as moscas e espalhar a bosta. Na cabeça, a vaca tem dois cornos pequenos e lá dentro tem mioleira, que o meu pai diz que faz muito bem à inteligência e, por não comer mioleira, é que o padre é burro como um tamanco. Diz o meu pai e eu concordo, porque, na doutrina, me obriga a saber umas merdas de que não percebo nada como as bem-aventuranças. A vaca dá leite por fora e carne por dentro, embora agora as vacas já não façam tanta falta, porque foi descoberto o leite em pó. A vaca é um animal triste todo o ano, excepto no dia em que vai ao boi, disse-me o pai do Valdemar "pauzinho", que é dono do boi onde vão todas as vacas da freguesia. Um dia perguntei ao meu pai o que era isso da vaca ir ao boi e levei logo um estalo no focinho. O meu pai também diz que a mulher do regedor é uma vaca e eu também não entendi. Mas, escarmentado, já nem lhe perguntei se ela também ia ao boi."
Foi assim. Escusado será dizer que a D.ª Albertina, pouco dada a brincadeiras criativas, afinfou no pobre do Zeca um enxerto de porrada a sério. Mas acabou definitivamente com a vaca como tema de redacção.
Recordei-me desta história da D.ª Albertina e da vaca do Zeca da Maria "gorda", ao ler que Cavaco Silva, presidente da República desta vacaria indígena, em visita oficial ao Açores, saiu-se a certa altura com esta pérola vacum: "Ontem eu reparava no sorriso das vacas, estavam satisfeitíssimas olhando o pasto que começava a ficar verdejante"! Este homem, que se deixou rodear, no governo, pelo que viria a ser a maior corja de gatunos que Portugal politicamente produziu; este homem, inculto e ignorante, cuja cabeça é comparada metaforicamente ao sexo dos anjos; este político manhoso que sentiu necessidade de afirmar publicamente que tem de nascer duas vezes quem seja mais honesto que ele; este "cagarola" que foi humilhado por João Jardim e ficou calado; este homem que, desgraçadamente, foi eleito presidente da República de Portugal, no momento em que a miséria e a fome grassam pelo país, em que o desemprego se torna incontrolável, em que os pobres são miseravelmente espoliados a cada dia que passa, este homem, dizia, não tem mais nada para nos mostrar senão o fascínio pelo “sorriso das vacas", satisfeitíssimas olhando o pasto que começava a ficar verdejante"! Satisfeitíssimas, as vacas?! Logo agora, em tempos de inseminação artificial, em que as desgraçadas já nem sequer dispõem da felicidade de "ir ao boi", ao menos uma vez cada ano!
Noticiava há dias o Expresso que, há mais ou menos um ano e aquando de uma visita a uma exploração agrícola no âmbito do Roteiro da Juventude, Cavaco se confessou "surpreendidíssimo por ver que as vacas, umas atrás das outras, se encostavam ao robô e se sentiam deliciadas enquanto ele, durante seis ou sete minutos, realizava a ordenha"! Como se fosse possível alguma vaca poder sentir-se deliciada ao passar seis ou sete minutos com um robô a espremer-lhe as tetas!!
Não sei se o fascínio de Cavaco por vacas terá ou não uma explicação freudiana. É possível. Porque este homem deve julgar-se o capataz de uma imensa vacaria, metáfora de um país chamado Portugal, onde há meia-dúzia de "vacas sagradas", essas sim com direito a atendimento personalizado pelo "boi", enquanto as outras são inexoravelmente "ordenhadas"! Sugadas sem piedade, até que das tetas não escorra mais nada e delas não reste senão peles penduradas, mirradas e sem proveito.
A este "Américo Tomás do século XXI" chamou um dia João Jardim, o "sr. Silva". Depreciativamente, conforme entendimento generalizado. Creio que não. Porque este homem deveria ser simplesmente "o Silva". O Silva das vacas. Presidente da República de Portugal. Desgraçadamente.

Luís Manuel Cunha in «Jornal de Barcelos», 20 de Março, 2013

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Greve dos CTT

eu fiquei prejudicado pela greve dos CTT!!! queria enviar uma carta para um primo na no Canadá com informação importante que tem de chegar até 4f, assim já não dá. Presidente palhaço, apela aos sindicalistas dos CTT que não façam greve!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A pouca vergonha do anexo SS

já muita tinta correu sobre o anexo SS (aqui e aqui) que é necessário enviar para as finanças para quem está sob recibos verdes, à excepção de alguns que são especificados numa nota das Finanças e Segurança Social.

Só o nome, SS (Schutzstaffel), por coincidência é claro, é uma merda.

Só num país nojento e merdoso como este, que tem à sua frente porcos e canalhas é que se tenta por tudo, caçar mais algumas coroas aos contribuintes. Alterarem as regras a meio do jogo também é uma características desta gente.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Jornalista Nuno Pacheco - "Omens sem H"

Ainda o acordo ortográfico. Acabem com esta borrada de vez!!!!

Omens sem H

Espantam-se? Não se espantem. Lá chegaremos. No Brasil, pelo 
menos, já se escreve "umidade". Para facilitar? Não parece. A Bahia, 
felizmente, mantém orgulhosa o seu H (sem o qual seria uma baía 
qualquer), Itamar Assumpção ainda não perdeu o P e até Adriana 
Calcanhotto duplicou o T do nome porque fica bonito e porque sim. Isto 
de tirar e pôr letras não é bem como fazer lego, embora pareça. Há 
uma poética na grafia que pode estragar-se com demasiadas lavagens 
a seco. Por exemplo: no Brasil há dois diários que ostentam no título 
esta antiguidade: Jornal do Commercio. Com duplo M, como o genial 
Drummond. Datam ambos dos anos 1820 e não actualizaram o nome 
até hoje. Comércio vem do latim commercium e na primeira vaga 
simplificadora perdeu, como se sabe, um M. Nivelando por baixo, 
temendo talvez que o povo ignaro não conseguisse nunca escrever 
como a minoria culta, a língua portuguesa foi perdendo parte das suas 
raízes latinas. Outras línguas, obviamente atrasadas, viraram a cara à 
modernização. É por isso que, hoje em dia, idiomas tão medievais 
quanto o inglês ou o francês consagram pharmacy e pharmacie (do 
grego pharmakeia e do latim pharmacïa) em lugar de farmácia; ou 
commerce em vez de comércio. O português tem andado, assim, 
satisfeito, a "limpar" acentos e consoantes espúrias. Até à lavagem de 
1990, a mais recente, que permite até ao mais analfabeto dos 
analfabetos escrever sem nenhum medo de errar. Até porque, 
felicidade suprema, pode errar que ninguém nota. "É positivo para as 
crianças", diz o iluminado Bechara, uma das inteligências que 
empunha, feliz, o facho do Acordo Ortográfico. É verdade, as crianças, 
como ninguém se lembrou delas? O que passarão as pobres crianças 
inglesas, francesas, holandesas, alemãs, italianas, espanholas, em países onde há tantas consoantes duplas, tremas e hífens? A escrever 
summer, bibliographie, tappezzería, damnificar, mitteleuropäischen? Já 
viram o que é ter de escrever Abschnitt für sonnenschirme nas praias 
em vez de "zona de chapéus de sol"? Por isso é que nesses países 
com línguas tão complicadas (já para não falar na China, no Japão ou 
nas Arábias, valha-nos Deus) as crianças sofrem tanto para escrever 
nas línguas maternas. Portugal, lavador-mor de grafias antigas, dá 
agora primazia à fonética, pois, disse-o um dia outra das inteligências 
pró-Acordo, "a oralidade precede a escrita". Se é assim, tirem o H a 
homem ou a humanidade que não faz falta nenhuma. E escrevam 
Oliúde quando falarem de cinema. A etimologia foi uma invenção de 
loucos, tornemo-nos compulsivamente fonéticos. Mas há mais: sabem 
que acabou o café-da-manhã? Agora é café da manhã. Pois é, as 
palavras compostas por justaposição (com hífens) são outro estorvo. 
Por isso os "acordistas" advogam cor de rosa (sem hífens) em vez de 
cor-de-rosa. Mas não pensaram, ó míseros, que há rosas de várias 
cores? Vermelhas? Amarelas? Brancas? Até cu-de-judas deixou, para 
eles, de ser lugar remoto para ser o cu do próprio Judas, com caixa 
alta, assim mesmo. Só omens sem H podem ter inventado isto, é 
garantido. 

Por Nuno Pacheco 
Jornalista

quinta-feira, 23 de maio de 2013