segunda-feira, 11 de março de 2013

Um Presidente na reforma (crónica de Vasco Pulido Valente 09/03/2013)


Finalmente, o Presidente da República abriu a sua preciosa boca e disse três coisas. Primeira, que a economia portuguesa está de facto numa “espiral recessiva”, como os números provam sem qualquer equívoco.Segunda, que “as vozes que se fizeram ouvir [na última manifestação] não podem deixar
de ser escutadas”. Terceira, que o país precisa de uma política de crescimento ou, pelo menos, de uma considerável atenuação da austeridade. Os peritos discutem ainda a intenção destas declarações solenes. Foram ou não foram dirigidas contra Passos Coelho? Foram ou não foram uma ínvia maneira de ajudar
Passos Coelho a conseguir mais moderação da troika? Numa ou noutra hipótese, serviram, sem dúvida nenhuma, para o dr. Cavaco lavar as suas mãos, muito bem lavadas, dos sarilhos da gente a que tão serenamente preside.Que a economia portuguesa está numa “espiral recessiva” já ninguém discute, mas Cavaco não disse uma palavra sobre o que ele pessoalmente recomenda para a travar ou atenuar. Que as “vozes” da manifestação se devem ouvir ou que o Governo e os políticos as devem ouvir: é um conselho frívolo se, ao mesmo tempo, não se explicar o que elas significam. E que chegou a altura de investir e crescer não passa de um truísmo diariamente repetido na televisão e nos jornais. Aliviado desta “retórica entre-portas”, que lhe permite nunca sair da ambiguidade e da confusão (e que, de resto, ele inventou), o Presidente seguiu, calado, para sua excitante vida de inaugurar e conviver com um “povo” cada dia mais perplexo com os costumes políticos, que hoje se tornaram habituais na pátria.Felizmente que o dr. Cavaco vai publicar um prefácio ao seu novo livro, Roteiros VII, com o título aliciante de Como deve actuar
o Presidente da República em tempos de grave crise económica e fi nanceira, um tratado obrigatório para o sr. Hollande, e para dúzia e meia de chefes de Governo. Os grandes princípios dessa obra teórica são fáceis de presumir: falar pouco ou nada ou, em caso de afl ição, falar “entreportas”. Evitar o “protagonismo mediático”, que acaba fatalmente por diminuir a “infl uência” do Presidente. E só conversar com Passos Coelho e o seus congéneres (se é que ele os tem) em estrita confi dencialidade. Estes preceitos levarão, tarde ou cedo, a que Portugal se esqueça de Cavaco e a que ele cumpra sossegadamente o seu mandato, sem maçadas de maior. Se pensarmos bem, ele é um reformado

sexta-feira, 8 de março de 2013

Relatório da OCDE malha na avaliação aos professores em Portugal

Mais um relatório internacional a malhar no sistema de avaliação dos professores em Portugal, desta vez da OCDE. Graças a muita canalhice, má vontade e interesses instalados de sindicatos, associações e conselhos (além do realpolitik) a avaliação para os senhores professores não avança em Portugal. E assim continuará ao que parece. Mas na Madeira não! Na Região da Madeira, estão a adoptar um sistema de avaliação que ao que  parece ninguém sabe o que é, o que pretende e como se realiza!!!!

Notícia no Publico.

Relatório integral da OCDE (.pdf)

quinta-feira, 7 de março de 2013

Entrevista do Presidente da Islândia (28/02/2013)


Um Presidente sensato e corajoso.

Por que razão a Islândia experimentou uma forte recuperação económica após o colapso financeiro de 2008?

por Martin Zeis

O Presidente da Islândia, Olafur Ragnar Grimmson, foi entrevistadoneste fim de semana (26-27/01/2013) no World Economic Forum, em Davos.

Perguntaram-lhe por que razão a Islândia desfrutou uma recuperação tão forte após o seu completo colapso financeiro em 2008, ao passo que o resto do mundo ocidental luta com uma recuperação que não tem pernas para andar.

Grimsson deu uma resposta famosa ao repórter financeiro da MSM, declarando que a recuperação da Islândia se devia à seguinte razão primária:
«…Fomos suficientemente sábios para não seguir as tradicionais ortodoxias prevalecentes no mundo financeiro ocidental nos últimos 30 anos. Introduzimos controlos de divisas, deixámos os bancos falirem, proporcionámos apoio aos pobres e não introduzimos medidas de austeridade como se está a ver aqui na Europa..."

Ao ser perguntado se a política da Islândia de deixar os bancos falirem teria funcionado no resto da Europa, Grimsson respondeu:
«...Por que razão é que os bancos são considerados as igrejas sagradas da economia moderna? Por que razão é que bancos privados não são como companhias aéreas e de telecomunicação, às quais acabam por ir à bancarrota se tiverem sido dirigidas de um modo irresponsável? A teoria segundo a qual os cidadãos têm de salvar bancos, é uma teoria em que se permite que os banqueiros desfrutem em seu próprio proveito se os bancos tiverem êxito, e deixa os cidadãos comuns arcarem com os seus fracassos, através de impostos e austeridade. A longo prazo, os povos em democracias esclarecidas não vão aceitar isso...».

28/Janeiro/2013

terça-feira, 5 de março de 2013

Uma lição sobre o socialismo

Isto é uma história, e não será possível extrapola-la a vida real, para a economia e sobretudo para os selvagens mercados financeiros onde agora o que vale são os algoritmos a funcionarem em fracções de segundo. Ainda assim acho interessante ler para termos uma ideia, ainda que limitada, de como pode funcionar o socialismo quando mal aplicado ou quando as autoridades querem que seja assim mesmo.

Um professor de economia em uma universidade americana disse que nunca havia reprovado um só aluno, até que certa vez reprovou uma classe inteira.

Esta classe em particular havia insistido que o socialismo realmente funcionava: com um governo assistencialista intermediando a riqueza ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e justo.

O professor então disse, "Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas." Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam 'justas'. Todos receberão as mesmas notas, o que significa que em teoria ninguém será reprovado, assim como também ninguém receberá um "A".

Após calculada a média da primeira prova todos receberam "B". Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.

Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Já aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Como um resultado, a segunda média das provas foi "D". Ninguém gostou.

Depois da terceira prova, a média geral foi um "F". As notas não voltaram a patamares mais altos mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram aquela disciplina... Para sua total surpresa.

O professor explicou: "o experimento socialista falhou porque quando a recompensa é grande o esforço pelo sucesso individual é grande. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros para dar aos que não batalharam por elas, então ninguém mais vai tentar ou querer fazer seu melhor. Tão simples quanto isso."

1. Você não pode levar o mais pobre à prosperidade apenas tirando a prosperidade do mais rico;
2. Para cada um recebendo sem ter de trabalhar, há uma pessoa trabalhando sem receber;
3. O governo não consegue dar nada a ninguém sem que tenha tomado de outra pessoa;
4. Ao contrário do conhecimento, é impossível multiplicar a riqueza tentando dividí-la;
5. Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Tabus de Cavaco

Ora, aqui está alguém que escreve sobre os tabus de Cavaco, que este tanto gosta de alimentar. Agora toma lá.

Bem, não sei se tudo é verdade, mas a maioria dos posts está fundamentada com notícias de órgãos de comunicação social portugueses (valham eles o que valerem!!!)

coisas como a casa da coelha, a opção pelas reformas em vez do vencimento, ligações à SLN e ao BPN, enfim, abundam os tabus do sr. Silva.

Notícia Público: Doentes passam a poder ter falta injustificada nas consultas no SNS

Em primeiro lugar, em caso de falta gostaria de saber como o utente poderá justificar a falta? Com atestado médico?

E se o médico faltar? que justificação VERDADEIRA dá ao utente? É marcada uma nova consulta imediatamente a seguir e vai para o fim da lista comme d'habitude?

Já agora e para ser coerente dos dois lados, por cada 15 minutos de atraso na consulta, deve haver um desconto na taxa moderadora!

Notícia aqui.

domingo, 3 de março de 2013

Olá, o meu nome é Vítor Gaspar e tenho um problema


"Olá, o meu nome é Vítor Gaspar e estou limpo há quatro dias, sem alterar previsões financeiras. O meu problema orçamental começou há quase dois anos. O objectivo inicial era ter um défice de 2,3% em 2014. Delírios. A partir daí, entrei numa espiral recessiva e nunca mais consegui controlar-me. Nem a mim, nem ao défice. Entrei em negação. Em Setembro do ano passado já derrapava por todos os lados - o objectivo saltou de 3% para 4,5%. Viciado em previsões, injetava fantasias nos portugueses.

Seis meses passados, a ressacar, ando de mão estendida a pedir ao dealer mais um ano para tentar reequilibrar a minha vida e deixar o défice abaixo dos 3%, mesmo sabendo que mais depressa se demite o meu colega Relvas. Tentei várias vezes iludir-me, iludir a família política, a oposição e os cidadãos. Nunca consegui combater o problema. Os amigos e aliados começaram a afastar-se. E é por isso que decidi juntar-me a este grupo de cidadãos com problemas de défice anónimos. Sinto-me só.
Sei que o meu descontrolo financeiro afecta milhões de pessoas. Prometi reduzir o défice e, quando vi que não conseguia, comecei a dar nas receitas extraordinárias como um maluco. Andava desorientado.Todas as metas que tracei foram um desastre total. Sinto-me frustrado. As expectativas foram goradas. A recessão prevista de 1%  para 2013 foi outra situação complicada. Tenho de enfrentar a realidade, a recessão de 2% está aí, depois da quebra no PIB de 3,2% em 2012. Tudo isto deitou-me ainda mais abaixo, as minhas olheiras alastram, a minha voz arrasta-se. A dívida pública, comigo, já passou a barreira dos 120% do PIB. Não sei o que fazer.Neste momento, já não distingo um ficheiro Excel de um Powerpoint.
Durante este processo, recorri a algumas entidades estrangeiras especializadas para me ajudarem a ultrapassar o problema, mas até as previsões definidas conjuntamente, com as quais me comprometi, falharam totalmente. Sinto-me a surfar uma onda de trinta metros, como aquele rapaz da Nazaré, com a diferença de que não percebo puto de surf. Sei perfeitamente que, não tarda muito, vou levar com o vagalhão na nuca. Perdi completamente o controlo da situação e gostava que me ajudassem a recuperar a capacidade de acreditar nas minha próprias fantasias."


Uma salva de palmas para o Vítor, que teve a coragem de partilhar a sua história connosco.

Mais aqui.